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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

ETHIOPIA, O BERÇO DAS CIVILIZAÇÕES

A Etiópia é um país da África Oriental situado numa região chamada Chifre da África. Sua história e a presença humana em seu território remontam a quatro milhões de anos. Sim, tudo começou ali, foi dali que surgiram os primeiros exemplares do gênero homo que mais tarde se desenvolveriam e dariam origem ao homo sapiens sapiens que conhecemos hoje. Além de ser o berço da raça humana, comprovado pela descoberta de fósseis de ancestrais humanos, também foi uma das primeiras civilizações cristãs.
No passado, a Etiópia, chamada Abissínia, foi uma nação muito rica e próspera. Na Antiguidade estabeleceu estreitas relações com o Egito e era principal rota comercial do Nilo recebendo tributos de diversos Estados da Península Arábica e inclusive conquistado o reino meroítico de Kush, o atual Sudão.
Desde o século IV a.C. os gregos chamavam Etiópia todos os países com população de cor negra, sem distinção de reinos ou países. Para os gregos, Etiópia abrangia a Núbia, o sul do Egito, o Djibouti, o Sudão e a Eritréia.
Por volta do século VIII a. C. o reino chamado D’mt se estabelece ao norte da Etiópia e domina a área. No século IV a. C., esse reino cai e surgem vários outros reinos menores até que no século I a.C., um desses reinos ascende ao poder. Era a monarquia Aksum que, segundo a tradição, teria sido fundada no ano 1.000 a. C. por Menelik I, filho do Rei Salomão e da Rainha de Sabá. Durante esse reinado, o país viveu seu apogeu econômico e cultural.
Por volta do ano 300 d. C. o império Aksum converte-se ao Cristianismo Ortodoxo trazido pelos coptas do Egito, até então não havia religião oficial no país onde o judaísmo convivia com crenças tribais. No século X, devido às invasões muçulmanas, a dinastia entrou em decadência e no século XII o poder passou à dinastia Zagwe que governou até o século XIII quando Yekuno Amlak restaurou a dinastia Aksum. No século XIV a Etiópia consegue repelir os muçulmanos com ajuda dos portugueses. Com os portugueses chegam os jesuítas que tentam converter todo o reino à fé católica e quase conseguem, mas o descontentamento da população força a expulsão dos missionários. No século XVII, o império divide-se em pequenos reinos e estabelece-se um tipo de sistema feudal. A unificação do país se deu apenas em meados do século XIX com o imperador Teodoro II.
Menelik II, filho de Teodoro II, torna-se imperador em 1889, moderniza o país, reconquista diversas províncias perdidas, derrota os italianos em 1896, funda uma nova capital em Adis Abeba e morre em 1913 deixando o trono para seu filho Lij Yasu que é deposto pelo povo em 1916 sob a acusação de ter-se tornado muçulmano. Em 1930 Ras Tafari torna-se imperador, muda seu nome para Haile Selassie I, introduz a primeira constituição do país em 1931 e toma uma série de medidas para modernizar o país, no entanto, elas são paralizadas em 1935 quando a Itália invade a Etiópia e a ocupa de 1936 a 1941. Com a ajuda de tropas inglesas os etíopes conseguem expulsar os italianos e têm início diversas reformas como a construção de estradas, novas escolas e a modernização da agricultura.
Em 1941, com a derrota na Segunda Guerra Mundial, a Itália perde a colônia da Eritréia, país que ocupava desde 1890, e os ingleses passam a administrá-la. Em 1952, a ONU decide federá-la à Etiópia, nove anos depois Haile Selassie decide cancelar a federação e tornar a Eritréia província da Etiópia o que deu início a uma guerra de 30 anos pela independência da Eritréia.
Nos anos 1970 uma seca prolongada mata de fome milhares de pessoas. Em 1974, militares depõem Haile Selassie e instauram um governo socialista colocando fim a uma dinastia que governou durante milênios. O golpe militar provoca conflitos entre as forças governamentais e os etíopes que se opõem ao novo governo. Em 1976 Mengistu Mariam promove outro golpe militar e assume o poder. A resistência do povo fica mais intensa e o governo retalia violentamente os opositores causando a morte de quase 10 mil pessoas de 1977 a 1978.
A queda da monarquia arrasa o país que se desestabiliza econômica e politicamente. Surgem várias frentes de resistência ao governo e os conflitos internos proliferam com perseguições e prisões em massa. No início dos anos 1980 uma nova seca atinge 8 milhões de pessoas e mata de fome mais de 1 milhão. Começam os movimentos de ajuda humanitária internacional. A baixa no preço do café, a seca e o avanço da guerrilha na Eritréia ocupando territórios do Mar Vermelho faz a economia entrar em crise. Em 1991, Mengistu perde seu principal aliado com o fim da União Soviética e acaba deposto. Em 1993 é proclamada a independência da Eritréia que bloqueia o acesso da Etiópia ao Mar Vermelho. Em 1995 cria-se a República Federativa da Etiópia e é promulgada uma nova Constituição instaurando o regime parlamentarista.
Em 1998 começa nova guerra contra a Eritréia, por fronteiras, que causa a morte de 120 mil pessoas. A guerra estende-se até o final do ano 2000 quando Etiópia e Eritréia assinam um acordo de paz, porém a tensão entre os dois países continua.
Em 2002, a Etiópia sofre outra grande seca. Em 2003, no entanto, há um excesso de chuvas que deixa milhares de desabrigados e provoca dezenas de mortes. Os problemas com o governo e a oposição do povo continuam.
A economia da Etiópia é baseada na agricultura, da qual sobrevive 85% da população, seu principal produto é o café, exportado para todo o mundo, a renda per capita é de menos de 100 dólares, 2/3 dos etíopes são analfabetos, quase metade da população vive abaixo da linha da pobreza e padece de desnutrição crônica, apenas 11% utiliza saneamento básico e 42% água tratada, além disso tudo o país também sofre com a tuberculose, a malária e a AIDS. Atualmente estima-se que oito milhões de etíopes sobrevivam apenas de assistência internacional. A expectativa de vida é de 44 anos.
De uma nação rica a Etiópia se transformou num dos países mais miseráveis do mundo devido ao clima árido, às secas periódicas e às opções políticas dos governantes. Os conflitos políticos, religiosos e étnicos, internos e externos, castigaram o país, pois além dos milhares de vidas que foram perdidas, o país ainda investiu, e investe, enormes quantias de dinheiro em guerras, dinheiro que poderia ser usado para melhorar a precária infraestrutura do país. Na verdade, a instabilidade sempre foi o maior inimigo da Etiópia provocando grande atraso econômico e baixo índice de desenvolvimento humano. Investimentos em transportes, comunicações, silos e indústrias de beneficiamento ajudariam muito já que a economia é baseada na agricultura que poderia ter um maior potencial, pois hoje o que prevalece é o cultivo para subsistência.
A Etiópia é uma das duas nações, junto com a Libéria, que resistiu à colonização européia no continente africano. Excetuando-se o curto período de ocupação italiana entre 1936 a 1941, a Etiópia deteve sua soberania durante quase toda a sua história.
Apesar do triste cenário de fome, amplamente divulgado pela mídia, a Etiópia não é só isso. Sim, a fome e a pobreza são gritantes, mas a Etiópia é um país de contrastes, também cheio de riquezas naturais e culturais que provavelmente pouca gente conhece, pois como disse o que mais se mostra desse país são imagens de crianças famintas, apenas com a pele por cima dos ossos. Lá também existe um mundo que deve ser preservado, de imenso valor, um grande museu vivo através do qual pode-se estudar os processos de formação da crosta terrestre, como se deu o surgimento da vida, a evolução da espécie humana e como ela se desenvolve culturalmente, o nascimento das civilizações.











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POVOS HAMER
Os Hamer são pastores nômades e caçadores-coletores de rara beleza. Os homens utilizam roupas sóbrias semelhantes às observadas entre as etnias Bume e Turkana. Ostentam brincos e um modesto colar colorido, além de um penteado modelado e colorido com lama e pigmentos naturais. Acrescentam à cabeleira, plumas extraídas de animais da região.

As mulheres são cobertas de enfeites, atingindo alto nível de requinte. Desde criança, a jovem introduz nos braços e pernas, argolas de metal que jamais serão retiradas, o que proporciona, em muitos casos, como crescimento ou acúmulo de gordura, um transbordamento dos tecidos por sobre esses enfeites.

Vestem-se com uma saia de pele de cabra na qual são afixados pedaços de metal e semesntes. Essas vestimentas são todas cozidas com fibras vegetais. Ao caminhar, elas produzem um intenso tilintar, anunciando sua chegada à distância.





POVOS SURMARIS
Os surmaris e mursis usam elementos que retiram da própria natureza para se enfeitar. Folhas, flores, frutos, cascas e raízes são usados como adereços, como se fossem bijuterias. Seus corpos, que medem em média 2 metros (são altíssimos), são pintados com pigmentos que encontram no solo que, devido à intensa deposição de material vulcânico, forma uma argila que apresenta diversas cores como branco, cinza, vermelho, verde, amarelo vivo e ocre. Também usam pigmentos de folhas e frutos.
Essas tribos usam o próprio corpo como objeto de expressão artística, como grandes telas e encontram um enorme prazer em se decorar, em parecer belos e gastam nessa tarefa muito tempo e criatividade. Pintam com as unhas, com as pontas dos dedos ou mesmo com as mãos abertas, com pedaços de madeira e caules. São verdadeiros artistas.

















POVOS MURSI

Os Mursi são um povo semi-nômade. São compelidos a se deslocar em função da busca de pastagens para o seu gado ou quando pressionados por outros grupos.

Os instrumentos utilizados por eles não passam de clavas, martelos e pilões de pedra. Dispõem apenas de toscos machados de metal e não conhecem armas de fogo. Aparentemente, trata-se do grupo do vale do rio Omo que menos mantém contato com o mundo civilizado.

Os homens utilizam poucos enfeites, mas em alguns casos, portam braceletes de marfim e sinetas nos tornozelos.

As mulheres usam roupas de couro animal com desenhos geométricos estampados a fogo. Apresentam um dos seios à mostra, de onde parte uma tatuagem que sobe até o ombro e metade do braço.

O que caracteriza a mulher Mursi é a colocação de um adorno circular de madeira ou cerâmica no lábio inferior, substituído de tempo em tempo para dilatá-lo. A operação para esta prática exige a extração dos quatro dentes incisivos superiores.

Não existem explicações definitivas para esta prática. Pode estar relacionada com o casamento, e até como medida preventiva contra o tráfico de escravas, prática corrente na região.

Os Mursi, quanto maior o disco no lábio inferior, mais bonita é a mulher. Os discos nos lóbulos das orelhas também simbolizam a beleza feminina. As pulseiras de metal e os cabelos raspados denunciam seus objetos de desejo repletos de histórias peculiares desse povo africano.


















POVO KARO DA ETHIOPIA
O povo Karo, identificado por suas pinturas típicas e cicatrizes no dorso, seduz o olhar com seus acessórios e pinturas feitas com pedras caucáreas, pó de ferro e carvão. Criam cores e desenhos especiais espalhados em sua pele. Para eles, o corpo é o meio de comunicação para transmitirem suas mensagens. Por exemplo, quanto mais cicatrizes as mulheres tiverem na região do peito (feitas com uma faca), mais prestígio terão. Essas marcas são adquiridas pelo heroísmo de combaterem o inimigo ou algum animal feroz. As penas de avestruz e enfeites de argila, posicionados na cabeça, também são sinais de bravura.




























Karo é um pequeno povo de aproximadamente 3000 habitantes, que vivem no sul da Etiópia próximo a fronteira do Sudão e do Kênia. Eles se vestem com peles de bode, adornam seus rostos com pinturas, usam lanças e aparentam estar vindo dos séculos passados.
Os Anciões de Karo revelaram o que tinha por tras das tradições amaldiçoadas da tribo. Na tribo havia três formas de uma criança ser amaldiçoada. Primeiro, se nascessem fora do casamento, segundo se o casal não anunciasse a intencao de conceber, terceiro se o primeiro dente da crianca viesse da arcada dentaria superior e nao da inferior. Prá eles a presença de uma criança amaldiçoada significaria guerra, fome e doenças para a tribo, por isso elas eram mortas para a maldição da terra ser removida. Os pais nao queriam ser o motivo de maldições na tribo, eles cooperavam com os anciões para ter certeza que a crianca seria morta. Era comum uma crianca amaldicoada ser deixada bem longe da tribo, para morrer lentamente ou entao ser comida por animais selvagens. Algumas crianças eram estranguladas por algum membro da família ou jogadas no rio para serem comidas pelos crocodilos. Todos os anos, aproximadamente 70 crianças eram mortas dessa forma.
A equipe procurou entender melhor o significado da palavra “Mingi” (Amaldicoado), enquanto compartilhavam sobre Jesus e como Ela amava todas as criancas. “Nós perguntamos se havia alguma forma que pudéssemos ajudar a salvar essas vidas. Tivemos muito cuidado no que falávamos, porque não queríamos fechar nenhuma porta.” A semente do Ministerio “Mingi” (amaldicoado) estava sendo plantada – um lugar de refugio para criancas que que de outra forma seriam mortas.
Uma crianca em uma vila proxima teve o primeiro dente havia surgido na arcada dentaria superior, sinalizando para os Karos que a crianca era amaldiçoada. Os pais da pequena esconderam ela por cinco meses, mas a tribo tinha conhecimento dela e continuamente batiam no pai por nao cooperar com as tradições. Debaixo da ameaça de serem expulsos da tribo, o pai concordou em matar sua filha.

2 comentários:

  1. caramba é muto sofrimento esse povos..... coisas que eu nunca vi.

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  2. Mto bom o texto... só um pouco comprido :D

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